Normalmente, um iniciante na escalada vislumbra apenas a necessidade de subir pela parede e logo descobre que a escalada exige um pouco mais.
Vamos lembrar que comumente se escala, no mínimo, em duas pessoas, ou seja, o escalador e o segurador. Se dividirmos a escalada ao meio teremos 50% de escalador e 50% de segurador. Assim fica bem notável que fazer segurança é tão importante quanto escalar, e a melhor forma de aprender a fazer segurança é praticando.
A “Lógica do Tripé”
Existem alguns tipos de freios (equipamento usado pelo segurador para travar a corda) que evitam uma queda fatal do escalador.
O freio que o segurador coloca na corda, permite dar corda enquanto o escalador está se afastando, recolher corda enquanto ele está se aproximando e travar a corda durante uma queda ou parada do escalador.
Para fazer segurança e evitar acidentes foi instituído um padrão nas Associações Alemã, Austríaca e Suíça de Alpinismo, o método “Lógica do Tripé”.
Cada perna do tripé significa um princípio que precisa ser cumprido. A visualização do tripé já sugere que, ao faltar uma perna, “a mesa cairá”. São elas:
- mão de Freio: manter sempre a mão na corda que antecede a passagem pelo freio;
- mecanismo do freio: Para que o freio funcione, o mecanismo do freio e as limitações específicas precisam ser respeitados.
Os freios são diferenciados em duas classes:
- freios estáticos: que tem como intenção bloquear a corda imediatamente por um mecanismo automático ou semi-automático, como o Gri-gri;
- freios dinâmicos: a principal característica desses freios é que eles executam uma força máxima de frenagem que limita o tranco, ou seja, enquanto a força da queda estiver acima da força máxima de frenagem, a corda corre pelo freio (são exemplos: plaqueta, ATC, Oito, Nó UIAA).
Nos freios dinâmicos, a força da frenagem está ligada diretamente à capacidade da mão do segurador em firmar a corda que antecede o freio. A corda que corre pelo freio também está correndo pela mão do segurador, que deve se manter atento e nunca soltar a corda. Dependendo da queda do escalador (em quedas mais altas), o segurador pode queimar a mão com a corda. Nesses casos, o mais recomendável é usar luvas.
Reflexos humanos
Reflexos são reações instintivas de defesa e proteção sem raciocínio por ativação do Sistema Nervoso Central (contração involuntária dos músculos estriados). Os reflexos básicos ao dar segurança são puxar e segurar, o que se explica casos frequentes do segurador queimar as mãos com a corda.
Esses reflexos, “puxar e segurar”, funcionam muito bem nos freios dinâmicos (aumentam a frenagem). Mas nos freios estáticos, como o Gri-gri, puxar e segurar a alavanca faz seu parceiro, o escalador, despencar rapidamente.
O outro reflexo importante é o apoio das mãos. Geralmente, quando caímos ou somos puxados, a primeira coisa que fazemos é colocar as mãos a frente ou a baixo para amortecer a queda. Logo, se o segurador soltar as mãos da corda em um tranco proporcionado pela queda do escalador, ele comprometerá a segurança do seu parceiro, principalmente se estiver usando um freio dinâmico.
Lembre-se: aconteça o que acontecer, as mãos do segurador devem sempre permanecer na corda, por isso comece a treinar e praticar esse amortecimento com os pés, levando-os para a parede quando for puxado pela queda do escalador.
Boas escaladas!
Sobre Claudia Faria
Claudia Faria é fundadora do método Yoga Adventure. Pratica Yoga desde os 14 anos, idade em que decidiu se tornar professora, e, aos 19, formou-se na primeira universidade de Yoga do país, Belas Artes e FAINC. Já ministrou cursos, palestras e workshops no Brasil, Estados Unidos, Europa e Argentina, e hoje atua como CEO do Grupo YA. É também escaladora e formada em Medicina Veterinária.






